sábado, 20 de agosto de 2011

a pequenez

a pequenez é um estado de alma.
cresce-nos, por entre os dedos, a vontade reprimida de desdizer o outro e recalcar a elegância transmitida a ferros pela boa educação dos nossos progenitores. sussuramos, entre ouvidos, a vida de uma, os feitos do outro e as desgraças do próximo com o ombro que por um mero acaso se encontrar por ali e que também por um mero acaso tiver um ponto a acrescentar à história.
a pequenez é um estado de alma e propaga-se. se o deixarmos chocar ele deixa-se ficar e entranha-se aos poucos nos recantos do nosso, já de si rarefeito, intelecto. a pequenez é um estado de alma e propaga-se tal e qual como o boato e o mexerico de ombro em ombro de ouvido em ouvido.
a pequenez é um estado de alma. é um estado de alma a pequenez que nos deixa mais pequenos logo de pequenitos. logo de pequenitos brincamos ao pequename com a pequenada e é assim de pequeninos que nos criam na cultura da pequenez. de geração em geração, passam o gene da pequenez acabrunhada, mesquinha, picuinhas, infame, vil e maldizente e assim vão nascendo pequenas crianças mais acabrunhadas mesquinhas picuinhas infames vil e maldizentes que a pequenada com a pequenez anterior.
e é assim que a pequenez se propaga num estado de alma pequenino, pequeno e pequenote que agrada a todo e qualquer portuguesote.
e o português que não é pequeno, é o português que sonha demais - acusam-me eles apontando para o alto do meu pedestal.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

a minha verdade conveniente


o caos do burguês das avenidas novas

atrai-me o caos.
atrai-me o dessarranjo do mundo.
atrai-me a desorganização social, a esventralização das virtudes humanas em meras putrefacções banais.
atrai-me o porco, o sujo e o vil.
atrai-me o que não pertence, o que não faz parte, o desintegrado.
atraem-me os que desintegram, os que causam o caos.
atraem-me os filhos do caos e da promiscuidade.
atrai-me a anarquia das organizações mundias.
atrai-me a violência gratuita, o rebelde sem causa e o fora-da-lei.
atraem-me os James Deans do sec. XXI que por uma razão ou por outra provocam a destruição massiva da ordem do pré-estabelecido.
atrai-me a ocupação das casas sem licença, o esmagamento das forças policiais, a opressão à força laboral.
atrai-me o que não faz sentido, o anarquicamente irracional.
Vocês criaram a besta agora alimentem-na de caos, seus liberais conservadores!

ouvi-me contar

foi aos 18 anos que me dividi.
na procura da união de um eu que não sei se existe dividi-me em múltiplos para garantir a minha individualidade.
cada um limitado à sua função criativa proporcionam-me a plenitude mental que almejo e não alcanço num ser uniforme.
dou-vos espaço, dentro de mim, para que se multipliquem livremente e deixem crescer as vossas raízes artísticas pois é assim que eu fundamento os meus próprios alicerces criativos.

não me fujam, por favor.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

sem grandes expectativas não há grandes desilusões.

(epi)curem-se, amigos, (epi)curem-se.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

lineariedade linearmente linear

as linhas são o limite do mundo.
lineariedade linearmente linear
são elas que delimitam o mundo.
lineariedade linearmente linear
elas, a junção dos pontos, são o separador das classes, a definição entre o fim de um conceito e o começo de outro.
lineariedade linearmente linear
é assim, neste cloisonismo limítrofe que os humanos se relacionam e constroem relações, lineares.
lineariedade linearmente linear
na procura de, ponto a ponto, preencherem ou alcançarem a linha os humanos linearmente racioais provocam no mundo um divisionismo sectorial que os leva a observarem-se geometricamente.
lineariedade linearmente linear
e assim na concepção mais primária do mundo cremos que a linha é o limite. de tudo. o limite de todos.
lineariedade linearmente linear


não há lineariedade mais linearmente linear do que a linearidade de já estarmos no limite desta linha.........................................................
é o fim, como é hábito. não vos é tão confortável?

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

todo.
de todos.
a linha é o limite.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Conhecimento

Conhecemos as coisas, não como são, mas apenas como se nos apresentam (Kant).
A sociedade vulgarizou a sensação.
A vulgaridade da nomenclatura e do sentido de sensação  adquirida são as causas dos nossos pensamentos e sentimentos serem todos parecidos.
Um homem que viveu num país onde não existiam relógios, ao entrar numa região onde eles existem e ao ver um, pela primeira vez, sente duma maneira diferente de um natural desse país.
Daí, a inteira subjectividade do nosso conhecimento. (Idealismo subjectivo).
A matéria não existe - como matéria. Existe como matéria por intermédio dos nossos sentidos.
Para o rústico uma árvore é uma árvore; para um poeta é mais do que uma árvore. É mais ou menos assim que nós vemos a matéria com a nossa falta de percepção espiritual.
Assim como aquelas montanhas que, vistas de longe, parecem escarpas despidas e áridas, mas que vistas de perto não mostram rochas nem nenhuma aridez, antes pelo contrário vales e grandes extensões de terra lavrada.
Somos fracos espiritualmente, isto é: somos somente capazes de uma compreensão material, a não ser que usemos os nossos poderes mais vastos e profundos.
No entanto, trazemos em nós o poder de apreender a verdade - não verdade fenomenal mas verdade numenal. Afirmo agora, e afirmarei sempre, que ao homem escapou o mistério do universal somente por falta de vontade de pensar profundamente. Parece-nos uma falta - senão absoluta, menos dominável - que está sempre ligada aos mais fortes poderes de pensamento. Os maiores génios têm sempre esta falha.

Fernando Pessoa

o inferno são os outros

é a entrega que fode os relacionamentos, mas é também sem ela que estes não sobrevivem. com a entrega surge o compromisso, com o compromisso surge então o FORTE e o fraco. existe sempre o conceito do dominador e do submisso e nunca um equilíbrio estável de emoções e rotinas que balança os desejos animais e intrinsecos individuais e egoístas de cada um. é este caminhar lado a lado pela realidade que tira o brilho às sensações, ao tocar a relva, ao ouvir os pássaros, ao cheirar o mar, que quando estamos sós são sempre tão boas como da primeira vez e mesmo quando se tornam um hábito para connosco têm a capacidade de nos supreender. é este outro que transforma tudo numa obrigação de satisfação constante, de preocupação contínua, se está tudo bem, se está tudo no sítio e eu, que vim ao mundo sozinha e, creio, para ser sozinha, não me habituo a isto de a andar sempre a apanhar as peças a certificar-me que esta relação preenche todos os parâmetros estabelecidos por nós e por outrem do que é saudável e prescrito numa relação de determinados níveis de confiança e compromisso que entretanto já foram atingidos. e é precisamente neste ponto da conversa que me surgem à cabeça as tão convenientes palavras do meu pai "o inferno são os outros" porque senão fossem afinal os outros o que seria do inferno? Levanto-me, novamente, visto o meu fato do dia e preparo-me para começar mais um dia rodeada de outros...


Infelizmente

terça-feira, 19 de julho de 2011

homo homini lupus

segunda-feira, 11 de julho de 2011

God

Mrs. O'Brien: [voice over] The only way to be happy is to love. Unless you love, your life will flash by.
[silence]
Mrs. O'Brien: [voice over] Do good to them. Wonder. Hope.
(...)
Mrs. O'Brien: [voice over] Help each other. Love everyone. Every leaf. Every ray of light. Forgive.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

abominamos exponencialmente nos outros aquilo que não conseguimos suportar em nós.
conclusão banal, eu sei. mas é com banalidades que nos vamos suportando.

domingo, 3 de julho de 2011

Pedra papel tesoura

habituo-me a ter-te por perto e deixo-te crescer debaixo da minha pele.
permiti que entrasses dentro das minhas sinapses e sem rede desconstrui-me para que me completasses.
tu nem te fizeste rogado, entras-te por aqui a dentro e deixas-te abertas todas as portas atrás de ti...
eu, ser de complexas barreiras físicas e mentais, vim apressada fechá-las. mas não me deixas-te.
tu, como todos os espíritos livres, preferes a corrente de ar.
tu, como todos os espíritos livres, transformas-te a minha complexidade numa nova língua que eu pudesse entender mas que faço questão de não traduzir. porque sou teimosa, orgulhosa, novamente teimosa, novamente orgulhosa.
nós, então juntos, transformamo-nos numa nova identidade. com maneiras de estar, de ser com os outros, connosco, com pensares e conceitos envolvidos num erotismo muito próprio de quem já encontrou o seu espaço noutro alguém.
"para que essa nova identidade evolua há que a deixar caminhar por si pois até ela, como nós, tem os seus ritmos."  - reparo algures numa one-hit frase abandonada a um canto.
tu, como todos os espíritos livres, nem pareces contemplar - aparentemente - que me mantenho neste limbo entre o que sei ser correcto e o que procuro ser correcto. para mim. para nós.


E tu dizes-me "Pedra, papel, tesoura"
e eu divago: não pode haver quem ganhe. muito menos quem perca.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

dilema entre ser arte e ser humano

acrescento à ideia a minha experiência. com dois ou três pontos empíricos subtrae-se a minha dúvida existencial ser-me viva ou ser-me arte. procuro as respostas necessárias no meu passado artístico prolífero e fortuito. terá sido ele que me guiou até aqui ou apenas um mero ganha pão? agora que me drogam o cerébro com o esterco da felicidade pergunto-me se devo ser artista ou se devo ser feliz. afinal sou já tão humana que não tenho nada para vos comunicar. nesta vivência automática de sorrisos vazios e oh, de sorrisos está o inferno cheio e sem comunicação não há criatividade que nos valha.

vou desabar um pouco mais o meu génio neste dilema vazio. em breve trar-vos-ei a resposta.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

"MENS AGITAT MOLEM"

sábado, 18 de junho de 2011

a fronteira da secretária

eles dão-me drogas para me cegar.
eles lá me receitam para me calar.
eles fazem-me perguntas por perguntar.
(talvez eles nem saibam o meu nome), mas continuam a indagar.
Do outro lado da secretária, imponentes, eles escrevinham no papel e atestam:
ela, está doente.

eu afogo-me ora num sofá
ora noutro. novamente num. para voltar novamente ao outro.
fungo umas tristezas para o lencinho. e afogo as mágoas no profissional e sempre cuidadosamente distante ombro de alguém.
digo que sim para não lhes dizer que não
respondo não sei porque as perguntas feitas são sempre as erradas
e eu não minto, nunca
eu omito
lá me vou drogando à sua mercê porque afinal não tenho nenhuma melhor opção
ou me entrego aos meus diabos ou aos seus químicos.

e então aqui estou deste lado do sofá a assistir a todos a correr de um lado para o outro calmamente apressados para tornarem a minha vida algo suportavelmente melhor.
e eu simplesmente já não me importo. venho aqui mensalmente ou quinzenalmente picar o ponto aos meus enjoos desta gíria. eles dão-me palmadinhas nas costas e dizem-me "parabéns, está a evoluir muito bem".





eu? eu vou mas é deixar-me afundar no sofá enquanto eles gritam nomes complexos. Já agora aproveito para me fazer de vítima e pensar como é fodido ter o diabo no corpo.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Diarreia Verbal

Sou uma gaja silenciosa. Não façam barulho.
"Soon silence will have passed into legend. Man has turned his back on silence. Day after day he invents machines and devices that increase noise and distract humanity from the essence of life, contemplation, meditation."
 Jean Hans Arp

A question that sometimes drives me hazy: am I or are the others crazy?

Há entre mim e o mundo um fosso intransponível entre o que quero e para o que me almejam. Se antes procurava incansavelmente ser como eles agora desejo cada vez mais ser como eu. E isso não chega. Porque eles me procuram para que sejamos iguais e eu me afasto para que nos mantenhamos diferentes.
É incrível como com estas anotações indago sobre os paradoxos do mundo. E o fosso aumenta. E eu fico, invariavelmente, sozinha. Este isolamento urbano ao qual recorro sempre que posso não deixa de ser inovador pois se antes me encontrava do lado dos que secretamente desejam integrar-se agora incluo-me nos que se encontram secretamente à margem.
Depois de me inverter e consumir tantas vezes para me encontrar, aqui, neste lugar, é curioso constatar que mesmo não sendo a pessoa que me acostumei a ser não me acostumo a ser com os outros e parece já não haver lugar para mim, aqui.
Existe entre mim e o mundo um fosso intransponível. Impenetrável. Tão fundo......

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Inconsciente tecno tribal

E é o avô que já não tira fotografias
e és tu que te transformas-te numa telenovela ambulante
e eu que nuca comprei a maria
e é lembrar-me de me esquecer de ti.

o rolo ainda está por revelar.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Passe-Partout

A realidade é só uma escolha.


(continua, quando deixarem de ser poucas as palavras para quem fala sempre do mesmo...)

segunda-feira, 28 de março de 2011

.it is a symptom of health not to be well adapted to a society that is sick.

Stabilité

éapercepçãodequepossoparecer-mecomigosemquererparecer-meconvosco.éaconvicçãodequeissoéosuficienteparamefazercaminharcomigomaisumpoucotodososdias....

domingo, 6 de março de 2011

IT'S REAL, THE PAIN YOU FEEL

"

1. A line that establishes or marks a border.


2. An indefinite area intermediate between two qualities or conditions
 
a. Psychology Relating to any phenomenon that is intermediate between two groups and not clearly categorized in either group
 
b. Relating to a condition characterized by a pattern of instability in mood, interpersonal relations, and self-image, and manifested by self-destructive, impulsive, and inconsistent behavior:
 
 
 
 
 
 
Is someone getting the best, the best, the best, the best of you? Is someone getting the best, the best, the best, the best of you? I've got another confession my friend I'm no fool I'm getting tired of starting again Somewhere new Were you born to resist or be abused?

                                           "

domingo, 13 de fevereiro de 2011

The individual has always had to struggle to keep from being overwhelmed by the tribe. If you try it, you will be lonely often, and sometimes frightened. But no price is too high to pay for the privilege of owning yourself.

27
"Tinham feito a vida num inferno um ao outro embora se amassem muito. E era bem verdade que se amavam. Isso era a prova de que a culpa não era deles ou do seu sentimento lábil. A culpa era da incompatibilidade que havia entre eles por ele ser forte e ela fraca. Ela era como Dubcek a fazer pausas de meio minuto no meio das frases, era como a sua pátria a gaguejar, a tentar tomar fôlego sem conseguir falar.
Mas era precisamente o fraco quem devia saber ser forte e partir quando o forte se encontrava demasiado fraco para poder sequer ofender o fraco."

Milan Kundera

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O mercado das necessidades

Quase, mas ainda não, se vendem maneiras de estar no supermercado.
Quase, mas ainda não, existem empresas para alterar personalidades.
Não, também não se vendem ideias em caixinhas.
Nem me falem da criatividade...
Para comprares satisfação tens que vender a alma ao diabo,
que ao menos esse ainda paga as taxas da alfândega.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Preciso desesperadamente de acordar todos os dias e saber que vou por aqui.
E que aqui é o lado certo.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Conduta

She "lived by her own definition, and would not compromise that. (...) an extraordinary woman who lived by example and compelled us all to see the world through new eyes. By the time you read this, she'll be sailing to Europe, where I know she'll find new walls to break down and new ideas to replace them with. I've heard her called a quitter for leaving, an aimless wanderer. But not all who wander are aimless. Especially not those who seek truth beyond tradition; beyond definition; beyond the image."

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A racionalidade fode-me a vida.
E tenho dito.

VOCÊS, as que me comem o sentido....

Convosco, suas putas vadias, acabo sempre assim...
Insatisfeita. Maldita, desdita. Amarga e por dizer
Sabem-me a pouco vocês, sabem(?)...
Vocês, trocam-me as voltas!
Sim, é isso mesmo.
Escondem-se atrás do figurativo, conotativo,
do objectivo, do subjectivo, do substantivo, do adjectivo.
E eu fico no meio, porque já me perdi.
E atrás de mim já o signo se perdeu;
Porque o signo não é palpável mas é concreto
E precisa de morada. Algo que vocês não têm.

Eu entretanto vinha falar-vos de algo
Mas vocês, rameiras da ordem, já me impuseram as regras.
E já não sei.
Outra vez, não me apetecem pontos finais, acentos, travessões
Porque o pensamento e torrencial e e meu
A pontuacao e dos/para os outros
E eu nao quero
Nao quero mais

E agora ja nao vos falo de nada
Porque voces sabem me a pouco
E se eu ficar calada
Voces nao tem troco
E quanto menos eu disser
Mais voltas voces dao
Os outros dao
E levam me atras












No fim lemos todos o mesmo
Com palavras diferentes
Agora vamos todos sentar nos
Numa roda sem figuracoes
E muito calmamente vamos partilhar o silencio




que esse ao menos me diz por inteiro

domingo, 9 de janeiro de 2011

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

o bilhete é só de ida, não há regresso no carrossel

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

gostava de vos explicar o que entendo por viver, não, não por existir...por viver, com sentidos

                 cérebro                                                         
            cerébrocerébro                                                   
      cerébrocerébrocerébro                                             
cerébrocerébrocerébrocerébro                                       
      cerébrocerébrocerébro                                             
            cerébrocerébro                                                      
                 cérebro                                                             

               C H E I R O

              R E S P I R O

                  F A L O
            
                    .......

                                                 
coração                         respiro porque tem que ser                        
coração                         respiro outra vez                        
coração                         respiro fundo uma vez                        
coração                         respiro fundo outra vez                        
                                                                                       
                
                                                                                                        

                  estomâgo
                  estomâgo                                                     
                                                                     
                 olá cerébro!                                                 













PELE PELE PELE PELE PELE PELE PELE PELE PELE PELE PELE PELE
sinto, arrepios, tocas         

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Não queiras saber de mim
Esta noite não estou cá
Quando a tristeza bate
Pior do que eu não há
Fico fora de combate
Como se chegasse ao fim
Fico abaixo do tapete
Afundado no serrim

Não queiras saber de mim
Porque eu estou que não me entendo
Dança tu que eu fico assim
Hoje não me recomendo

Mas tu pões esse vestido
E voas até ao topo
E fumas do meu cigarro
E bebes do meu copo
Mas nem isso faz sentido
Só agrava o meu estado
Quanto mais brilha a tua luz
Mais eu fico apagado

Dança tu que eu fico assim
Porque eu estou que não me entendo
Não queiras saber de mim
Hoje não me recomendo

Amanhã eu sei já passa
Mas agora estou assim
Hoje perdi toda a graça
Não queiras saber de mim



R.V.

sábado, 1 de janeiro de 2011

That's what it is, man. If you got it today you don't want it tomorrow, man, 'cause you don't need it, 'cause as a matter of fact, as we discovered on the train, tomorrow never happens, man. It's all the same fucking day, man.

Forçosamente social

Talvez, nesta noite, e em todas as outras também, as ligações não sejam verdadeiramente necessárias ou, se calhar, eu caí especialmente do céu.
Afinal sou tão única como todos os outros seres humanos.
Como tu e o outro que se vegetam pelo caminho.





Também eu vos acompanho.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

“The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn, like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes "Awww!”

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Some sunny day






Tu e os teus sapatos apertados.
Eu e a minha estética preversa.
Nós....nós somos mesmo assim.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

"Muita abstracção"

e talvez eu nunca vá ter a capacidade de sair. ou a coragem de me evadir como o vento que corre o mundo sem fronteiras.....

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Set down on the road with the gunshots exploding

Porque às vezes uma pessoa tem que ser mimada para se lembrar que tem valor, às vezes uma pessoa tem que falar com estranhos para se lembrar que existe fora do contexto, às vezes uma pessoa tem que olhar para o lado para realizar que ainda existe vida no planeta, às vezes uma pessoa tem que ser egoísta para se lembrar de pensar em si, às vezes uma pessoa tem que falar sem dizer nada para reconhecer que não se deve levar demasiado a sério, às vezes uma pessoa tem que exigir para se obrigar a exigir, às vezes uma pessoa tem que se elogiar para se recordar de se elogiar, às vezes uma pessoa é elogiada para não saber como defender-se, às vezes uma pessoa elogia para não se esquecer de ser sincero, às vezes uma pessoa tem que ser atacada para se lembrar de se defender, às vezes uma pessoa tem que se vitimizar para se ocupar de si, às vezes uma pessoa tem que pensar que o mundo inteiro é a sua concha para ter coragem, às vezes uma pessoa tem que pensar que a sua casa é o mundo inteiro para ter medo do que está depois da porta, às vezes uma pessoa sente-se bem porque está sol,às vezes uma pessoa sente-se mal, depois sente-se bem, depois sente-se qualquer coisa. Às vezes uma pessoa passa muitas vezes a sentir-se qualquer coisa para se habituar que a vida assim, às vezes uma pessoa leva-se ao extremo para se lembrar de viver ao máximo, às vezes uma pessoa acha que as palavras são muito poucas para se lembrar que fala sempre do mesmo, às vezes, muitas vezes, uma pessoa pede desculpa para se lembrar que se culpa por existir, às vezes uma pessoa pede desculpa porque sente muito, às vezes uma pessoa só quer desistir para se lembrar que tem essa hipótese como às vezes uma pessoa tem vontade para se esperançar de que o futuro é um lugar distante, às vezes uma pessoa só quer comer cagar e foder para se lembrar que é animal, às vezes uma pessoa só quer indagar pensar idealizar para se lembrar que é racional. Às vezes uma pessoa só quer ficar em casa porque tem medo de sair, às vezes uma pessoa só quer sair porque tem medo de estar em casa, às vezes uma pessoa só está porque não se está mal e outras vezes uma pessoa não está por que não se está bem, às vezes uma pessoa ouve música para se provocar, às vezes uma pessoa provoca-se para se confortar, às vezes uma pessoa tem que fazer o que uma pessoa tem que fazer porque tem que fazê-lo, às vezes uma pessoa rodeia-se de muita gente só para sentir que está acompanhado, às vezes uma pessoa está só para se relembrar que se tem a si, às vezes uma pessoa não se dá ao luxo de desistir para saber que é mais forte, outras vezes uma pessoa liga o automático e seja o que vier, às vezes uma pessoa engole sapos para saber que tem massa crítica, às vezes uma pessoa critíca para se relembrar de não engolir sapos, às vezes uma pessoa não partilha para se lembrar que é só seu, às vezes uma pessoa exterioriza para se sentir uma parte do todo, às vezes com isso sente-se bem, às vezes sente-se mal. Às vezes uma pessoa tem que dizer merda atrás de merda só porque sim, às vezes uma pessoa tem que generalizar-se atrás de generalizações e armar-se em Margarida Rebelo Pinto  só porque é mulher.

sábado, 11 de dezembro de 2010


Um inútil mundo governado por inúteis inutilmente entregues a tarefas tão inúteis quanto eles. Os outros, tão inúteis como os outros, no tentar tornarem-se inutilmente úteis correm inutilmente uns atrás dos outros, atrás dos outros, atrás dos outros.


Eles, os outros, os principais (?) inúteis, correm atrás dos outros outros para manterem inutilmente esta cadência inútil. E agora são uns atrás dos outros com os outros atrás deles. Arrastam-se todos, orgulhosos, numa inutilidade sobeja e reconhecidamente inútil. Os outros com os outros outros com os outros dos outros e assim por diante, inutilmente. Os inúteis dos governantes debitam inutilizáveis governações para que os ainda mais inúteis governados se inutilizem a torná-las utilitárias. Assim, anulam-se todos alegremente.


Ficam inutilmente felizes como ficam inutilmente tristes – porque todos os sentimentos são inúteis – com a inutilizável anulação. Numa inutilizável fertilização de inutilidade, os inúteis congratulam-se uns aos outros por tão inútil trabalho concretizado de forma tão primorosamente inútil.

Collage

São as vertigens, são as vertigens,
são outra vez as vertigens..........................................

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São as vertigens
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No meio deste nojo universal

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010



Just a boy and a little girl,
Trying to change the whole wide world,
I-Isolation,
The world is just a little town,
Everybody trying to put us down,
I-I-Isolation.
I don't expect you to understand,

domingo, 5 de dezembro de 2010

O banho

Joana toma banho todos os dias. Para iniciar este processo, Joana senta-se e olha-se. Depois acalma-se. Depois, dá início ao desenrolar do processo. 
Despe cada peça de roupa com a lentidão alcoólica de uma madrugada festiva. Todos os dias, Joana desloca -se até ao espelho e observa-se em pele. Pele que odeia, que repugna, que toda a vida esteve disposta a trocar na Ladra. Sai do quarto. Corre até à casa de banho. Pelo caminho, curto, os ossos arrepiam-se, os pôros dão sinais de vida. Entra na casa de banho onde é novamente bombardeada com reflexos de si mesma, com projecções de si, nua. Ignora-as. Ou tenta. Apercebe-se que é O momento. Lembra-se que é agora que vai estar verdadeiramente consigo.
Aquece a água e entra. Um pé, depois o outro, depois roda o chuveiro. A água escorre por si no sentido da gravidade e o seu dia escorre-se também na mesma precisa cadência. Joana revê-se e corrige-se à velocidade a que esfrega o seu corpo. Como se o sabão lavasse incoerências.
Joana lava o cabelo ao mesmo tempo que deseja lavar a sua cabeça - por dentro -  e todos aqueles pensamentos inóspitos. Joana apercebe-se, repentinamente, que aquele corpo intocádo e intocável, o seu, lhe dá vontade de vomitar.
E então, com a água quente a evaporar-se serenamente na pele, Joana decide morrer.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Eu a obedecer e tu a mandar

Vou andando por aí
Sobrevivendo à bebedeira e ao comprimido
Vou dizendo sim à engrenagem
Ando muito deprimido

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

How can I go forward when I don't know which way I'm facing?
How can I go forward when I don't know which way to turn?
How can I go forward into something I'm not sure of?
Oh no, oh no
How can I have feelings when I don't know if it's a feeling?
How can I feel something if I just don't know how to feel?
How can I have feelings when my feelings have always been denied?
Oh no, oh no

You know life can be long
And you got to be so strong
And the world is so tough
Sometimes I feel I've had enough

How can I give love when I don't know what it is I'm giving?
How can I give love when I just don't know how to give?
How can I give love when love is something I ain't never had?

Oh no, oh no




John Lennon

domingo, 28 de novembro de 2010

http://www.youtube.com/watch?v=0eDMHyfezxM

I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life. I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.I attach no importance to life. I attach no importance to life.


















I do not matter to life.

If only I could

Se ao menos pudesse dizer-vos que não.
Destruir os muros ou elevá-los tão alto ao ponto de me deixarem de ver.
Se calhar já o fiz, se calhar foi de próposito, pode ter sido sem querer.
Se pudesse, ao menos, acabar com as expectativas
Com as ideias feitas, com as projecções, com a minha vontade sobrehumana de não desiludir, nem iludir.
Se vos pudesse explicar que no meu tubinho de vidro já não cabe mais ninguém
O meu perímetro de segurança está demasiado cheio de mim, para mim
Para vós, não...Não é possível
Já não equaciono sequer a hipótese de sobreviver à base de relações humanas
Já não equaciono um futuro, uma década
Um presente continuado.

Não me é possível futurar nada mais que a próxima hora
Só me é possível continuar as minhas necessidades animais
De forma a existir, a respirar, no modo vegetal.
Não quero que tenham pena de mim, que se preocupem, que me queiram estabilizar
Não tenho ligações.
Eu repito, não tenho ligações.
Não há nada mais que uma península familiar a fazer os possíveis para me ligar ao mundo
A socializar-me, educar-me,
"Tira os cotovelos da mesa"
"Não quero ervilhas congeladas"

Não quero isso, não quero nada disso.


Vivo um intenso conflito interno entre tornar-me um ser:
humano, cosmopolita, sociável que se projecta e realiza
e um ser fechado nos confins da sua existência  blasfemando-se eremiticamente.

domingo, 21 de novembro de 2010

17

"É natural que quem quer «elevar-se» sempre mais, um dia, acabe por ter vertigens. O que são vertigens? Medo de cair? Mas então porque é que temos vertigens num miradoiro protegido com um parapeito? As vertigens não são o medo de cair. É a voz do vazio por debaixo de nós que nos enfeitiça e atrai, o desejo de cair do qual, logo a seguir, nos protegemos com pavor.
O cortejo das mulheres nuas em torno da piscina, os cadáveres no carro funerário a manifestarem o seu contentamento por Tereza também estar morta, são o «por baixo» que a apavora, de onde já fugiu uma vez, mas que também a atrai misteriosamente. As suas vertigens: ouvir um suave (e quase alegre) apelo que a incita a renunciar ao destino e à alma. É o apelo à solidariedade das desalmadas. Nos momentos de desespero, tem vontade de lhe responder e de voltar para a mãe. Tem vontade de fazer retirar da ponte do seu corpo a tripulação da alma; de descer e de se sentar com as amigas da mãe e rir quando uma delas se peida ruidosamente; de desfilar nua com elas em torno da piscina e de cantar."


Milan Kundera

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

The Spectral Attitudes



I attach no importance to life
I pin not the least of life's butterflies to importance
I do not matter to life
But the branches of salt the white branches
All the shadow bubbles
And the sea-anemones
Come down and breathe within my thoughts
They come from tears that are not mine
From steps I do not take that are steps twice
And of which the sand remembers the flood-tide
The bars are in the cage
And the birds come down from far above to sing before these bars
A subterranean passage unites all perfumes
A woman pledged herself there one day
This woman became so bright that I could no longer see her
With these eyes which have seen my own self burning
I was then already as old as I am now
And I watched over myself and my thoughts like a night watchman in an immense factory Keeping watch alone
The circus always enchants the same tramlines
The plaster figures have lost nothing of their expression
They who bit the smile's fig
I know of a drapery in a forgotten town
If it pleased me to appear to you wrapped in this drapery
You would think that your end was approaching
Like mine
At last the fountains would understand that you must not say Fountain
The wolves are clothed in mirrors of snow
I have a boat detached from all climates
I am dragged along by an ice-pack with teeth of flame
I cut and cleave the wood of this tree that will always be green
A musician is caught up in the strings of his instrument
The skull and crossbones of the time of any childhood story
Goes on board a ship that is as yet its own ghost only
Perhaps there is a hilt to this sword
But already there is a duel in this hilt
During the duel the combatants are unarmed
Death is the least offence
The future never comes

The curtains that have never been raised
Float to the windows of houses that are to be built
The beds made of lilies
Slide beneath the lamps of dew
There will come an evening
The nuggets of light become still underneath the blue moss
The hands that tie and untie the knots of love and of air
Keep all their transparency for those who have eyes to see
They see the palms of hands
The crowns in eyes
But the brazier of crown and palms
Can scarcely be lit in the deepest part of the forest
There where the stags bend their heads to examine the years
Nothing more than a feeble beating is heard
From which sound a thousand louder or softer sounds proceed
And the beating goes on and on
There are dresses that vibrate
And their vibration is in unison with the beating
When I wish to see the faces of those that wear them
A great fog rises from the ground
At the bottom of the steeples behind the most elegant reservoirs of life and of wealth
In the gorges which hide themselves between two mountains
On the sea at the hour when the sun cools down
Those who make signs to me are separated by stars
And yet the carriage overturned at full speed
Carries as far as my last hesitation
That awaits me down there in the town where the statues of bronze
and of stone have changed places with statues of wax Banyans banyans.

 



Andre Breton

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

"(...) Comediants has been closely tied to what might be referred to as the festive spirit of human existence. All of our pagan, folk, religious and initiation ceremonies, rituals and creations celebrate the human being’s cyclical journey on Earth. Thus, our performances and shows go beyond the purely theatrical or musical, in a quest to reactivate the deep-seated festive roots that bind us together as a species and that connect us with the natural world that we form a part of."

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Hoje fiz, finalmente, a depilação
Cortei, finalmente, as unhas
Penteei, finalmente, o cabelo
Pus, finalmente, creme nas pernas
Vesti, finalmente, umas cuecas dignas de senhora
Jantei, finalmente, à altura das horas e substâncias deste nome
Escovei (fio incluído), decentemente, os dentes
Tomei, finalmente, a pílula e as bombas da asma como indica a bula
Arrumei, finalmente, o meu quarto.












Uauuu, agora sim! Posso viver em sociedade

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Ironia

Merda da internet
Dos emails, do facebook, dos spams, do msn, do telemóvel
Merda da comunicação virtual sempre a lembrar-me que existo!

Eu não vos conheço vocês não me conhecem, nem estão interessados
Eu lembro-me todos os dias que existo (no espaço, pelo menos)
Descansem, que não passa um dia sem que me recorde disso.
Parem com esta merda
Deixem-me em paz:
A mutilar-me com os pequenos prazeres do mundo, com os desejos intrínsecos de mim e de todos nós.

Vão para o caralho que vos foda
E deixem-me ser anónima no anonimato em que viemos ao mundo!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Psychologist: The years spent in isolation have not equipped him with the tools necessary to judge right from wrong. He's had no context. He's been completely without guidance. Furthermore, his work - the garden sculptures, hairstyles and so forth - indicate that he's a highly imaginative... uh... character. It seems clear that his awareness of what we call reality is radically underdeveloped.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O caracol

O caracol tapou bem os olhos

Com cera,

Meteu a cabeça no peito

E olha fixamente

Para dentro.



Em cima dele

A casca —

A sua obra perfeita

Que lhe mete nojo —



À volta da casca

O mundo,

O resto do mundo,

Disposto aqui e além

Segundo certas leis

Que lhe mete nojo —



E no centro deste

Nojo universal

Está ele —

O caracol,

De que sente nojo.



















marin sorescu


simetria
tradução colectiva revista, completada e apresentada
por egito gonçalves
poetas em mateus
quetzal
1997
"Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
(...)

Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem."


"O espelho dos pensamentos", Fernando Pessoa

segunda-feira, 1 de novembro de 2010





Female Psychaitrist: I'm going to show you a picture, and you tell me what that person might say.


Alex: Oh

Female Psychaitrist: Let's Begin

[Changes to a slide with two people looking at a peacock]

Female Psychaitrist: "Isn't the plumage beautiful?"

Alex: I'm supposed to say what the other person would say?

Female Psychaitrist: Yes, just tell me the first thing that comes to your mind.

Alex: Cabbages, knickers, It hasn't got A BEAK!

Female Psychaitrist: Good.

[Changes slides to a man climbing into a naked woman's bedroom]

Female Psychaitrist: "What do you want?"

Alex: No time for the ol' in-out, love. I've just come to read the meter!

Female Psychaitrist: Alright.

Alex: [laughs]

Female Psychaitrist: [Changes slide to woman handing bird eggs to a man] "You can do whatever you like with these.

Alex: Eggiweggs. I would like... to smash them. And pick them up, and THROW-

[moves injured arm]

Alex: OW! Fucking hell! So did I pass?

domingo, 31 de outubro de 2010

So long, suckers


I won't be the last

I won't be the first

Find a way to where the sky meets the earth

It's all right and all wrong

For me it begins at the end of the road

We come and go...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Estou muito cansada, hoje

Vocês são tão saudáveis
Estão no vosso perfeito direito de o ser

Não, não sou de gargalhada fácil
Nem de estabilidade simpática
Não sou moldável, apetecível ou afável

Sou isto, sou só isto.
Deixem-me ser

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Debaixo da roupa, estamos todos nus

"(...)Eu compreendo estas pessoas, tanto os putanheiros que negoceiam Mercedes, como as senhoras que comem palmiers na confeitaria. Compreendo até os dermatologistas. À sua maneira, cada um deles se sente rejeitado pelas minhas tatuagens e pelos meus piercings. Acreditam que eu não quero ser como eles, não quero ser eles. Têm de responder de alguma maneira a essa rejeição. É-lhes fácil encontrar falta de sentido em furar o corpo com uma agulha e colocar um pendente metálico ou em preencher uma parte da pele com cicatrizes cheias de tinta. Uma pergunta que também me fazem, visivelmente baralhados, é: porquê?
As razões não são simples e são demasiado íntimas. Não tenho de dá-las. Talvez seja necessário ser eu, estar no meu lugar e ter o meu nome para entendê-las por completo. Essa é a natureza da pele. Para nós próprios, a pele é aquilo que nos protege, a fronteira entre a nossa presença e o mundo físico, o aparelho sensível que capta a percepção daquilo com que interagimos. Para os outros, essa mesma pele é a nossa superfície, a aparência. E, já se sabe, a aparência é tão enganadora, a superfície é tão superficial.
Também é comum admirarem-se com o carácter definitivo das tatuagens, perguntarem-me se não tenho medo de me arrepender. Sorrio. Emociono-me com a inocência daqueles que não percebem que tudo é definitivo e deixa marcas. Eu escrevo livros. Sei que tudo é definitivo e nada é eterno.
(...)
Em casa, tomo banho. A água morna na minha pele. Deslizo as mãos pelo meu corpo. É meu. Estou dentro dele."

José Luís Peixoto

ON/OFF

Eu vivo numa realidade paralela
Conecto-me aos outros porque é uma conexão necessária
Dela, nunca me desconecto
Nunca é possível

A automatização deste mecanismo é algo de sobrehumano
E quando penso desligá-la habituo-me a continuá-la
Acostumei-me a ter estas vozes por companhia absoluta
E o silêncio universal nunca me existiu

Arrotinei-me a viver
Todos os dias a viver
Todos os dias
Todos...Todos os dias

Elas arrotinadas estão
E, todos os dias, caminham ao meu lado
Esperando ansiosamente que chegue a casa
Que fique sozinha
Só para lhes dar atenção

Eu, mundana, concisa, real
Habituo-me a ouvi-las
E a deixá-las passar
Pelo resto do mundo

Eu, idealista, abstracta, projecção
Dou-lhes ouvidos
Atribuo-lhes forma e credibilidade
Pelo meu futuro

Eu, ídilicamente, acho-vos possíveis e realizáveis
Eu, realmente, renego-vos ao metade de nada



Por vocês serem o Universo
Eu obrigo-me a transformar-vos na minha casa
Por vocês serem impraticáveis
Eu obrigo-me a anular-vos


Vocês são, e serão sempre, a minha realidade
Porque sem vocês a realidade dos outros seria bastante mais negra
Mas deixem-me em paz, por favor
Que já não consigo viver comigo

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

The Great Gig in The Sky

Contempla o poder astronómico de te autodestruíres
Subdividires-te inconscientemente em transcendências atómicas só para te assustares.
Cresceres em pó das estrelas, porque no fundo é disto que todos somos feitos.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Casa

Talvez porque te queira definir demasiadas vezes deva começar de forma substancialmente banal: “A casa é onde o coração está”.

Já debitei. Agora

Assumes-te como um espaço, como um ser, um estado de espírito.

Transformas-te, lentamente, numa conquista e amadureces, depois, para uma obsessão. Eu acompanho-te, ao longo do caminho, porque preciso de te viver por dentro.

Seja talvez por te ter figurado em demasia ou por te ter sentido sempre demasiado distante, procuro-te como me procuro a mim; com a mesma cadência frenética, com a mesma esperança deslustrada.

Talvez estas divagações sejam infrutíferas e o que eles queiram mesmo saber é onde é que eu vou depois do trabalho, onde é que me entrego às ocupações e obrigações da vida normal. Talvez te queira explicar por excesso e eles só queiram a minha terráquea morada!

(Não, não…Não vou perder esta oportunidade. Agora que estamos frente-a-frente não te vou deixar por resolver. Senta-te, por favor, temos sobras por conversar…)


Talvez por me teres dito sempre tão pouco
Por, paradoxalmente, me teres acompanhado tanto
Por te ter atulhado com os meus ideais brilhantes
Por seres só a realidade
Por seres a realidade
E por seres a minha realidade
Por ir ter contigo todas as noites
Por seres um acumulado de definições transcendentes que precisam necessariamente de fazer sentido
Por te ter(es) transformado num espaço tão menos físico que mental
Por te ter assumido como um armário de átomos exibicionistas de educações, costumes e tradições
Por te teres domiciliado na minha cabeça, todos os dias, todos os meses, todos os fins-de-semana.

Oh sim…. Os fins-de-semana!
Malditos, esses! Que me transformam numa eremita nómada
Que me tiram a identidade
E ma devolvem, um pouco mais tarde
Que vão brincando levianamente às casinhas
E esperam que eu os escolte
Que me atacam com um carinho sádico por tudo o que fui
O que serei e o que fiquei a dever

Que me transformaram num comboio em movimento
Num terminal de autocarros, numa mochila às costas
Em direcção a um qualquer êxodo cosmopolita
A um qualquer sítio mais confortável
Porque, ao fim de algum tempo, já todos os espaços fazem comichões.


Queria só explicar-te que já não tens o poder todo:
A minha casa sou eu, vazia dos teus materiais
Cheia da minha conduta, da minha moral, do meu lugar intelectual
Invadida pelas minhas nobres pessoas, esquizofrenias e afins
Preenchida pelos meus companheiros, pelas minhas pequenas vidas.

Agora, sinto-me livre…



Vem…. Vem culpabilizar-me à Rua do Ermo Ambulante, no Largo do Despovoado Nómada, no número variável da solidão, no Lugar da Magistral Alienação deste mundo perverso. Mas vê lá é melhor avisares antes, posso não estar em casa…

"O poeta é um fingidor"

Argumenta o poeta:

Não sou nada mais que um transformador de ocasiões
Rumino poeticamente o que se passa
Para que possa mecanicamente ser digerido.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Há dias

Estou demasiado farta de vos dever a vida
De não me zangar, de não vos chocar.


O tempo tratará do resto, tenho a certeza.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

FIBRA

Fraqueza de espírito
Falta de carácter, fibra (,) moral
Falta de não
De conduta, decisão

Necessidade extrema de fundo
Conhecimento de causa
De retorno, talvez

Objecção ao aprofundamento do espaço do tempo
Saturação, aceitação da índole rasca e banal das pessoas
Acomodação à desilusão e falta de expectação
Sobre o conhecimento a fundo da grande maioria de nós















Agora vou-me embora.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eu visto as coisas assim




Porque hoje, como sempre, apetece-me arrotar alto e não pôr a mão à frente
Apetece-me beber uma cerveja ou duas, três, se calhar mais
Apetece-me dessarumar os naperóns e atentamente torná-los utilitários
Apetece-me comer arroz doce, leite creme, broa de milho e pastel de nata
Apetece-me um café pingado, com cheirinho, em chávena escaldada
Apetece-me cantar fado, usar um xaile, vestir-me de preto e melancolizar-me saudosamente
Apetece-me ser uma janela, um canteiro, uma velha janeleira ou uma varanda pombalina
Apetece-me tertuliar no Martinho da Arcada, na Brasileira ou no Machado
Apetece-me subir e descer a calçada portuguesa cinematograficamente as vezes que me der na real gana
Apetece-me jantar numa tasca um bacalhau à brás, uma carne de porco à alentejana, uma sopa de peixe
Apetece-me comer amêijoas ao fim da tarde numa qualquer praia civilizadamente deserta do Oeste
Apetece-me andar de eléctrico pela noite dentro
Apetece-me esperar autocarros indefinidamente e falar com todas as velhinhas da paragem
Apetece-me adormecer num monte alentejano e acordar numa casa de xisto do Piodão
Apetece-me, vejam lá!!, queijo da serra, requeijão com doce de abóbora
Apetecem-me alheiras, farinheiras, chouriços e linguiças
Apetece-me cenas de filmes paradas
Apetece-me provincianismo
Apetece-me acreditar em Deus e, honestamente, dizer "Até manhã se deus quiser", "Deus te abençoe", "Vai com deus", "Deus te proteja" e tantas que tais
Apetece-me dizer os provérbios e as mézinhas da terceira idade todos de trás para a frente
Apetece-me um baile popular, uma marcha de Lisboa e uma sardinha para acompanhar
Apetece-me vinho tinto com pão
Apetecem-me laranjas e doce de alfarroba
Apetece-me o baca em vez de vaca, o dezôito em vez de dezóito, o ide em vez vão
Apetece-me o raio que o parta, o caraças e a porra

Apetece-me ser Portuguesa em todo o meu explendor
Apetece-me sacudir-me de elitismos, academismos, extratismos e ser única e exclusivamente a minha naturalidade.

E sou-o, olha a merda!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Comunidade

Querem-me fazer sentir estúpida?
Querem-me apartar? Diferenciar?
Sacudir? Desocupar?
Conseguiram
Hoje ganharam

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O sonho

O comunismo é uma martirização prática
Mas um delicioso devaneio teórico

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Auto conhecimento radical? Abusivo, intrusivo, colossal?
Já assinei a petição.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Problema de expressão

Sou rígida, instraponível e valorativamente imutável
.Reagindo às ocasiões.
Vocês acham que me curam com mezinhas vogantes de tranquilidade.
Agora....

Opa! Agora fodam-se

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Muito prazer

"Não está triste, não sabe bem como está. Não há ninguém para lho perguntar. (...) O relógio a andar. Se fosse corajoso zangava-se. Todos os dias o mesmo vazio a pesar-lhe na cabeça e no corpo. Cheio de não ter feito o que queria, de nem saber o que podia ter feito. Cheio de não odiar. (...) Se pudesse zangava-se. (...) Se pudesse isolava-se. Passava a ser um nobre eremita, sem relações íntimas nem ambições. (...) Se pudesse tornava-se irascível, sarcástico e impossível de aturar. (...)"

Pedro Paixão, Viver todos os dias cansa

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A teia

Nunca me desocupaste
Não te consigo controlar
Aposto que não sabes
As vezes que te vejo voltar

Tento olhar para o lado, para não olhar em frente
Eu a procurar-te
Mais longe de me atestar demente

Agito-me a prestações
Agarro-me à tua ideia levianamente
A tua materialização distancia-se, distancia-se
E nós bailamos pela minha mente

Eu a querer provar-te
Mais uma e outra vez
Tu a fugires devagar, com a calma de outra gente

Agarro-me, a custo, ao que mereci
Tu desocupas o espaço enquanto
Eu me ataco com o que nunca cedi.


Perdi o controlo
Não sabe bem

Nada sabe bem

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A verdade nua e crua I - Análise precisa e necessariamente cínica sobre o estado das nossas coisas

Agora sem eufemismos; - Vou falar-te, fugindo à regra, sem eufemismos.
Eu gostava de sonhar menos, de querer menos, de saber menos, de ver menos, de procurar menos, de adequar-me menos, de revoltar-me menos, de idealizar menos, de preocupar-me menos, de falar menos, de reviver menos, de massacrar-me menos, de destruir-me menos, de destruir-te menos, de crescer mais devagar,de ter menos pressa, de ocupar menos espaço, de saborear mais, de fingir mais, de entregar-me mais, de concretizar mais, de infantilizar-me mais, de ver menos mundo, de ver menos pessoas, de encontrar mais.
A verdade é que a culpa nunca foi tua. Eu já nasci menos querendo muito mais. O teu ventre criou-me insatisfeita e eu, na verdade, nunca procurei satisfazer-me....Quero, cruamente, explicar-te que as nossas divergências são e serão sempre como uma força da Natureza. Nunca desejámos coexistir no mesmo espaço-tempo - eu respiraria puramente noutro espaço, tu envelhecerías tranquilamente noutro tempo - mas fizeram-nos assim e eu, mãe, já aprendi a desculpar-te.
A luta cresce todos os dias e eu continuo a exigir demasiado, a invadir espaços que não são supostos, a indagar sobre o mundo e sobre o outro, a procurar-te demasiadas vezes e tu, sem culpa, a desiludires-me na mesma proporção.
Nunca te poderei, sem remorso, explicar o carácter frágil, paradoxal e impessoal da nossa relação. Tu finges conhecer-me com todas as armas de uma Ciência que até hoje creio que não domines muito bem e eu finjo que esse pouco que conheces é o que realmente sou. Vivemos nesta relação dissimulada, fazendo vista grossa à verdade e à realidade, acalmando-nos, mutua e estranhamente, com o facto de ambas sabermos que estamos a mentir.

(...)

Eu continurarei, infrutiferamente, a divagar muito para além da minha cabeça. Romperei todos os espaços não delimitados com o meu cérebro caleidoscópico; disparando em todas as direcções ideais e valores que voltarão ricocheteando para mim com bilhetes e papelinhos chamando-me burguesa de merda. Até que um dia, quem sabe, finalizarei todas as tarefas que planearam para mim e entregar-me-ei à minha infeliz idealização do Amor e uma Cabana. E, para me salvar a mim, salvarei o mundo ao meu alcance...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

"Batem as portas, em tons de suicídio, como se fossem um corpo a cair do nono andar..."

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Soit je meurs, soit je vais mieux

Elaine Wyatt: What happened to that beautiful little girl?
Candy: What happened? What happened? Can't you see? Don't you understand? I have been clenching my fucking fists since I was six years old!


Passas-me a mão pelos ombros demasiadas vezes.
Eu afasto-te, com a sádica inocência do que parece bem aos outros ou do que será politicamente correcto. Tentando ser inconscientemente feliz - conceito, para mim, inalcançável - transformo-me numa cínica miseravelmente consciente.
A nossa relação já se materializou o suficiente para que a não deixe evoluir. Quero que me impregnes com todos esses termos com que te adornam e idolatram para te manterem à distância. Quero que lhes fodas a cara toda com as palavras feias que usas todos os dias. Quero que me autorizes a dedicar-me unica e exclusivamente a esta misantropia infeliz.
Só quero que chegues, finalmente, até mim; me chames cobarde, o que tu quiseres, e me leves de volta.

domingo, 15 de agosto de 2010

Almost Blue

Tendo, por norma, a manter platonicamente distantes estas minhas paixões esquizofrénicas. Quanto maior o distanciamento, mais tranquilizante se torna. Conformo-me com a ideia, apaixono-me pelas poucas palavras que lhe conheço e habito o confortável ideal de que gosto dele.
Faço sabotagens ao dito amor sem que ele tenha a oportunidade, ainda que prematura, de se afirmar.
Sem qualquer reconhecimento físico ou aproximação táctil, construo-te e desconstruo-te as vezes que quiser dentro de mim. Tu nem sabes, mas coabitamos alegremente numa poetização idealizada.
Matando o amor, mato-me de fome.
Mas assim é mais fácil…
Sem justificações.
Sem evoluções.
Sem expectativas.

domingo, 8 de agosto de 2010



Os loucos não estão disponíveis para (se) amar.
Melancolia subversiva, perversa e mutiladora,
consome-te os dias só de a ponderar.
A caixa fecha-se, fecha-se e tu ficas lá dentro.

domingo, 11 de julho de 2010

No one here gets out alive, now

"You're all a bunch of fucking idiots! Let people tell you what you're going to do. Let people push you around. How long do you think it's gonna last? How long are you gonna let it go on? How long are you gonna let them push you around? Come on. Maybe you like it. Maybe you like being pushed around. Maybe you love it. Maybe you love getting your face stuck in the shit. Come on. Maybe you love getting pushed around. You love it, don't you? You love it. You're all a bunch of slaves, bunch of slaves. You're all a bunch of slaves, letting everybody push you around. What are you gonna do about it? What are you gonna do about it. What are you gonna do about it?!"

terça-feira, 6 de julho de 2010

Insónia

O autocarro do lixo já passou. Apercebo-me entretanto que não posso deixar de me problematizar. Passando dias dedicada à simplicidade da vida, no sentido original e não poético ou romântico da palavra, sustento o meu sistema intelectual. Agora, à noite...
Teorias não invasivas de solucionamento mundial porque eu até sou uma gaja discreta. Gargarejo frases anormais porque a loucura é capaz de ser uma cena fixe. No meu quartinho casca de ovo idealizo a anormalidade artística que regerá a minha vida. Faço filhos, como homens, construo casas, mato velhas, mato novas, faço política e posiciono-me.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

pron. pess. 2 gén.1. A minha pessoa.s. m.2. O ente consciente; a consciência.3. Infrm. Minha pessoa

O eu já não existe. Todos os eus não passam de adaptações artificiais de genuínidade aplicadas a contextos escolhidos a dedo para nos confrangerem.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

domingo, 6 de junho de 2010

Ocupação espacial

Pertences ao espaço
Nunca às pessoas
O espaço é teu, temporariamente
E tu habita-lo, conscientemente.

As pessoas que te rodeiam já não te dizem nada
Pouco te conhecem
A nada te sabem

Continuas a abrir janelas
(...)
As pessoas cercam-te, cercam-te
E roubam-te o senso comum.
Crucificam-te com sentenças sobre o que de ti desconhecem.

E tu continuas a frequentar o espaço.
Porque ele te conhece.

O espaço passa então à concepção de ser inanimado.
Onde tu lhe sugas memórias felizes
E ele te oferece percepções sobre a natureza da/e a Humanidade.

Os outros estabelecem um secreto limiar entre o conhecer o espaço e o habitar o espaço.

Tu mantens-te firme porque não sabes viver sem o espaço.
Habitas o paradoxo infeliz de ele te tornar miserável e de sem ele miserável seres.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Só, por existir

Julgo que já assumi a vida como um fracasso inevitável há algum tempo.
Onerei a vida a esta revolta quotidiana contra a normalidade que tem como objectivo último e muito ambicioso a consciencialização dos que me rodeiam, que são o meu alcance máximo, para a concepção da Humanidade como um todo funcional. Tal como na Natureza.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O homem absurdo tem de esgotar tudo e de se esgotar. O absurdo é a sua tensão mais extrema, a que ele mantém constantemente com um esforço solitário, porque sabe que nessa consciência e nessa revolta do dia-a-dia testemunha a sua única verdade, que é o desafio.

Albert Camus, em O Mito de Sísifo – Ensaio sobre o absurdo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Não tenho telhados de vidro

Vocês, e só vocês, se encarregarão da tarefa de destruir tudo o que construímos.
Na vossa intermitente missão de se crucificarem um ao outro, levar-nos-ão pelo caminho e apodrecerão separadamente em casas enormes e vazias com maçanetas que não funcionam.

domingo, 9 de maio de 2010

Fumar pode provocar uma morte lenta e dolorosa

Caríssimos senhores da hipocrisia vincada,
Parece-me a mim, reles fumadora de 17 anos, que não há ninguém neste mundo que conheça melhor a natureza do Homem do que os senhores. Acham por bem informar os seus fiéis consumidores de que podem morrer de forma lenta e dolorosa, como se não houvessem já razões mais que bastantes neste mundo para se morrer de. Têm vossas excelências por garantido, também, que não existe maior escrúpulo para a Humanidade do que esse objecto desconhecido e implacável que nos torna as vidas limitadas. Morte, oh sim, escrevem-no por todo o lado nesses pacotinhos jeitosos em que vendem o vício, em que criam a besta.
Sabem por certo, as ilustres senhorias, que não há melhor companhia neste vasto mundo que o cigarro. Sabem-no com certeza, se não não se usavam disso como catalisador das vossas máquinas industriais e corruptas de produção de cinismo e falsa integridade. Conhecem assim o ideal do cigarro como marcador do tempo, como separador de momentos e, na melhor das suas concepções, como provocador de conversas. AAh se conhecem...
Foram capazes de criar a ideia da impossibilidade da vida sem tabaco, para mim e mais meio bilião de pessoas que, tal como eu, vivem presos a este vício tão confortável. Pessoas, como eu, incorrigívelmente tímidas ou nervosas que vêem nestes cilindrozinhos putrefactos bons ouvintes, boas companhias e, até, excelentes criadores.
O cigarro é capaz de nos proporcionar aquele à-vontade de quem sabe do que fala, um sítio para colocar as mãos, de caminhar connosco em multidões solitárias. Do acto de fumar um cigarro pressupõe-se toda uma etiqueta funcional extensível a todos os extractos sociais. Acende a classe artista e boémia indubitavelmente fumadora, o primeiro bafo cinematográfico dos aristocratas e chefes de estado, os bafos que se seguem em tom de garantia de um cigarro bem aceso dados pelas putas, pelos vagabundos e pelos homens sem casa, travam vezes sem conta os funcionários públicos, os Senhores do lixo, o papa, o padre, os miúdos da escola, a mãe divorciada, o agricultor, o velho jogador da alameda, o treinador de futebol, o gestor, o nadador profissional, o banqueiro, o presidente da camâra, o emigrante, o imigrante. Os dois últimos bafos dolorosos perto do limite castanho dão-nos os turistas, os pescadores e os taxistas e a beata incandescente deita-a fora a hospedeira apressada pisando-a com o seu salto alto. Buscam as pontas os drogados, os alcoolicos, os pobre, os malucos, a escumulha - afirma a restante sociedade. Agora que penso nisto, será talvez até do vosso considerável interesse, o cigarro seria um excelente camarada vociferante do comunismo. Mas esqueçamos este aparte político, que a vós só vos interessa a economia.
Gostaria assim de pedir-vos, a tom de conclusão, que deixassem estas mensagenzinhas obséquias de lado e tratassem as coisas só pelo nome. É tabaco. Quando compramos todos sabemos o mal deliciosamente aprazível que nos faz, não precisam vossas excelências de ser tão cínicas relativamente ao que produzem.


Grata pela atenção,
A.S.P.

sábado, 8 de maio de 2010

terça-feira, 4 de maio de 2010

Eternamente tu

MEIA PARTE II
Ela tenta Perceber


Se calhar será demais denunciar-te por abuso de poder, duvido demasiado do teu intelecto e do teu discernimento para te achar poderoso.

Cheira-me que a minha origem é agora, para ti, duvidosa - como se a origem fosse moldável.
Que o meu corpo, que tantas vezes te entreguei e não soubeste como aceitar, se transformou num depósito de blasfémias e baboseiras.
Que o meu caractér despropositado, espontâneo, imprevísivel, pueril, racional, inconveniente - que te cativou, enlouqueceu e desatinou como nunca antes ninguém na tua vidinha medíocre havia ousado - se converteu numa coisa da qual se deve ter vergonha. Algo a evitar na tua rotina merdosa do dia-a-dia.
Que os meus interesses e culturas são agora meras afirmações de personalidade, como se precisasse da aceitação ou confirmação de outrem para ser eu própria.

Tu, que tantas vezes me persuadiste com falsos moralismos.
Que tantas vezes me prometeste o mundo.
Que tantas vezes me roubaste o livre arbítrio e o julgamento.
Tu, que me atafulhaste com defeitos e maldades e corrupções inocentes.
Tu, que me cristalizaste como um bibelot de adornar prateleiras
Que me poetizaste como capricho dos teus futuros idealistas e sem rede
Que me envelheceste e me aproximaste da alienação completa
Que me impediste de estabelecer qualquer tipo de relação afectiva, sexual ou intelectual saudável
Tu, que, na pior das tuas conquistas, me fizeste penetrar no teu provincianismo sovina tão tradicionalmente português!

E és agora tu, com as tuas incompatibilidades obscuras e as tuas teorias intrincadas do arco da velha, que tentas recalcar todo este modo de vida; como se tudo isto te fosse perfeitamente anónimo e eu fosse mais um ser inútil nesta realidade cheia de inúteis. E é então que realizo que, pelo teu esforço animal e metafísico de esconder para não acarear, todos os toques, todas as horas, todos os espaços, são agora ocos.















PARTE V
Ele, finalmente, Percebe


O acto de conhecer é inflexível e intolerante;
As pessoas, as relações, os conhecimentos, podem mudar
Mas não se matam os conhecidos.



Grilo de fundo diz: Eles são a prova viva de que viveste, mas já passou.