segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O sonho

O comunismo é uma martirização prática
Mas um delicioso devaneio teórico

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Auto conhecimento radical? Abusivo, intrusivo, colossal?
Já assinei a petição.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Problema de expressão

Sou rígida, instraponível e valorativamente imutável
.Reagindo às ocasiões.
Vocês acham que me curam com mezinhas vogantes de tranquilidade.
Agora....

Opa! Agora fodam-se

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Muito prazer

"Não está triste, não sabe bem como está. Não há ninguém para lho perguntar. (...) O relógio a andar. Se fosse corajoso zangava-se. Todos os dias o mesmo vazio a pesar-lhe na cabeça e no corpo. Cheio de não ter feito o que queria, de nem saber o que podia ter feito. Cheio de não odiar. (...) Se pudesse zangava-se. (...) Se pudesse isolava-se. Passava a ser um nobre eremita, sem relações íntimas nem ambições. (...) Se pudesse tornava-se irascível, sarcástico e impossível de aturar. (...)"

Pedro Paixão, Viver todos os dias cansa

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A teia

Nunca me desocupaste
Não te consigo controlar
Aposto que não sabes
As vezes que te vejo voltar

Tento olhar para o lado, para não olhar em frente
Eu a procurar-te
Mais longe de me atestar demente

Agito-me a prestações
Agarro-me à tua ideia levianamente
A tua materialização distancia-se, distancia-se
E nós bailamos pela minha mente

Eu a querer provar-te
Mais uma e outra vez
Tu a fugires devagar, com a calma de outra gente

Agarro-me, a custo, ao que mereci
Tu desocupas o espaço enquanto
Eu me ataco com o que nunca cedi.


Perdi o controlo
Não sabe bem

Nada sabe bem

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A verdade nua e crua I - Análise precisa e necessariamente cínica sobre o estado das nossas coisas

Agora sem eufemismos; - Vou falar-te, fugindo à regra, sem eufemismos.
Eu gostava de sonhar menos, de querer menos, de saber menos, de ver menos, de procurar menos, de adequar-me menos, de revoltar-me menos, de idealizar menos, de preocupar-me menos, de falar menos, de reviver menos, de massacrar-me menos, de destruir-me menos, de destruir-te menos, de crescer mais devagar,de ter menos pressa, de ocupar menos espaço, de saborear mais, de fingir mais, de entregar-me mais, de concretizar mais, de infantilizar-me mais, de ver menos mundo, de ver menos pessoas, de encontrar mais.
A verdade é que a culpa nunca foi tua. Eu já nasci menos querendo muito mais. O teu ventre criou-me insatisfeita e eu, na verdade, nunca procurei satisfazer-me....Quero, cruamente, explicar-te que as nossas divergências são e serão sempre como uma força da Natureza. Nunca desejámos coexistir no mesmo espaço-tempo - eu respiraria puramente noutro espaço, tu envelhecerías tranquilamente noutro tempo - mas fizeram-nos assim e eu, mãe, já aprendi a desculpar-te.
A luta cresce todos os dias e eu continuo a exigir demasiado, a invadir espaços que não são supostos, a indagar sobre o mundo e sobre o outro, a procurar-te demasiadas vezes e tu, sem culpa, a desiludires-me na mesma proporção.
Nunca te poderei, sem remorso, explicar o carácter frágil, paradoxal e impessoal da nossa relação. Tu finges conhecer-me com todas as armas de uma Ciência que até hoje creio que não domines muito bem e eu finjo que esse pouco que conheces é o que realmente sou. Vivemos nesta relação dissimulada, fazendo vista grossa à verdade e à realidade, acalmando-nos, mutua e estranhamente, com o facto de ambas sabermos que estamos a mentir.

(...)

Eu continurarei, infrutiferamente, a divagar muito para além da minha cabeça. Romperei todos os espaços não delimitados com o meu cérebro caleidoscópico; disparando em todas as direcções ideais e valores que voltarão ricocheteando para mim com bilhetes e papelinhos chamando-me burguesa de merda. Até que um dia, quem sabe, finalizarei todas as tarefas que planearam para mim e entregar-me-ei à minha infeliz idealização do Amor e uma Cabana. E, para me salvar a mim, salvarei o mundo ao meu alcance...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

"Batem as portas, em tons de suicídio, como se fossem um corpo a cair do nono andar..."

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Soit je meurs, soit je vais mieux

Elaine Wyatt: What happened to that beautiful little girl?
Candy: What happened? What happened? Can't you see? Don't you understand? I have been clenching my fucking fists since I was six years old!


Passas-me a mão pelos ombros demasiadas vezes.
Eu afasto-te, com a sádica inocência do que parece bem aos outros ou do que será politicamente correcto. Tentando ser inconscientemente feliz - conceito, para mim, inalcançável - transformo-me numa cínica miseravelmente consciente.
A nossa relação já se materializou o suficiente para que a não deixe evoluir. Quero que me impregnes com todos esses termos com que te adornam e idolatram para te manterem à distância. Quero que lhes fodas a cara toda com as palavras feias que usas todos os dias. Quero que me autorizes a dedicar-me unica e exclusivamente a esta misantropia infeliz.
Só quero que chegues, finalmente, até mim; me chames cobarde, o que tu quiseres, e me leves de volta.

domingo, 15 de agosto de 2010

Almost Blue

Tendo, por norma, a manter platonicamente distantes estas minhas paixões esquizofrénicas. Quanto maior o distanciamento, mais tranquilizante se torna. Conformo-me com a ideia, apaixono-me pelas poucas palavras que lhe conheço e habito o confortável ideal de que gosto dele.
Faço sabotagens ao dito amor sem que ele tenha a oportunidade, ainda que prematura, de se afirmar.
Sem qualquer reconhecimento físico ou aproximação táctil, construo-te e desconstruo-te as vezes que quiser dentro de mim. Tu nem sabes, mas coabitamos alegremente numa poetização idealizada.
Matando o amor, mato-me de fome.
Mas assim é mais fácil…
Sem justificações.
Sem evoluções.
Sem expectativas.

domingo, 8 de agosto de 2010



Os loucos não estão disponíveis para (se) amar.
Melancolia subversiva, perversa e mutiladora,
consome-te os dias só de a ponderar.
A caixa fecha-se, fecha-se e tu ficas lá dentro.

domingo, 11 de julho de 2010

No one here gets out alive, now

"You're all a bunch of fucking idiots! Let people tell you what you're going to do. Let people push you around. How long do you think it's gonna last? How long are you gonna let it go on? How long are you gonna let them push you around? Come on. Maybe you like it. Maybe you like being pushed around. Maybe you love it. Maybe you love getting your face stuck in the shit. Come on. Maybe you love getting pushed around. You love it, don't you? You love it. You're all a bunch of slaves, bunch of slaves. You're all a bunch of slaves, letting everybody push you around. What are you gonna do about it? What are you gonna do about it. What are you gonna do about it?!"

terça-feira, 6 de julho de 2010

Insónia

O autocarro do lixo já passou. Apercebo-me entretanto que não posso deixar de me problematizar. Passando dias dedicada à simplicidade da vida, no sentido original e não poético ou romântico da palavra, sustento o meu sistema intelectual. Agora, à noite...
Teorias não invasivas de solucionamento mundial porque eu até sou uma gaja discreta. Gargarejo frases anormais porque a loucura é capaz de ser uma cena fixe. No meu quartinho casca de ovo idealizo a anormalidade artística que regerá a minha vida. Faço filhos, como homens, construo casas, mato velhas, mato novas, faço política e posiciono-me.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

pron. pess. 2 gén.1. A minha pessoa.s. m.2. O ente consciente; a consciência.3. Infrm. Minha pessoa

O eu já não existe. Todos os eus não passam de adaptações artificiais de genuínidade aplicadas a contextos escolhidos a dedo para nos confrangerem.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

domingo, 6 de junho de 2010

Ocupação espacial

Pertences ao espaço
Nunca às pessoas
O espaço é teu, temporariamente
E tu habita-lo, conscientemente.

As pessoas que te rodeiam já não te dizem nada
Pouco te conhecem
A nada te sabem

Continuas a abrir janelas
(...)
As pessoas cercam-te, cercam-te
E roubam-te o senso comum.
Crucificam-te com sentenças sobre o que de ti desconhecem.

E tu continuas a frequentar o espaço.
Porque ele te conhece.

O espaço passa então à concepção de ser inanimado.
Onde tu lhe sugas memórias felizes
E ele te oferece percepções sobre a natureza da/e a Humanidade.

Os outros estabelecem um secreto limiar entre o conhecer o espaço e o habitar o espaço.

Tu mantens-te firme porque não sabes viver sem o espaço.
Habitas o paradoxo infeliz de ele te tornar miserável e de sem ele miserável seres.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Só, por existir

Julgo que já assumi a vida como um fracasso inevitável há algum tempo.
Onerei a vida a esta revolta quotidiana contra a normalidade que tem como objectivo último e muito ambicioso a consciencialização dos que me rodeiam, que são o meu alcance máximo, para a concepção da Humanidade como um todo funcional. Tal como na Natureza.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O homem absurdo tem de esgotar tudo e de se esgotar. O absurdo é a sua tensão mais extrema, a que ele mantém constantemente com um esforço solitário, porque sabe que nessa consciência e nessa revolta do dia-a-dia testemunha a sua única verdade, que é o desafio.

Albert Camus, em O Mito de Sísifo – Ensaio sobre o absurdo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Não tenho telhados de vidro

Vocês, e só vocês, se encarregarão da tarefa de destruir tudo o que construímos.
Na vossa intermitente missão de se crucificarem um ao outro, levar-nos-ão pelo caminho e apodrecerão separadamente em casas enormes e vazias com maçanetas que não funcionam.