quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A margarida uma vez disse-me - "o que é real é o que se concretiza"

- Está na hora de te fazeres uma mulherzinha! - dizem-me eles em tons condescendentes enquanto me dão palmadas nas costas e esperam que os paradoxos que criaram não se propaguem muito para além do meu B.I.. Eu faço ouvidos moucos como tenho feito toda a vida, aliás é o que de melhor tenho feito toda a vida, para não lhes dizer crua e cruelmente que não me interessa superar-me. Que não procuro o meu êxito. Que já há muito me habituei à minha mediocridade. Eles sim almejam o meu sucesso. Espelham-se na minha realização. Eles sim só eles querem o meu bem.
- Já estava na altura de te vermos com algumas concretizações, menos ideias e mais acções... - dizem com mais uma palmadinha. Eu sinceramente vivo bem no meu mundo procrastinado onde me maldigo insistentemente por nunca cumprir com o que me proponho e por nunca me propor a cumprir o que maldigo. Eles, os outros é que não vivem bem comigo e eu por conhecer o seu mal-estar disponho-me também a ser incómoda. E assim vamos vivendo condescendentemente numa comichão cómodamente suportável.
Oh, se vos dissesse a verdade....não me interessam os desafios intelectuais, não me interessam as novas gramáticas, as bases da filosofia ou o direito universal, não me interessa ser um pequeno génio da matemática, descobrir a cura para a sida ou criar novas correntes artísticas. Interessa-me sim tão profundamente o desafio dos mistérios subtis da natureza humana e se vocês me observassem como eu vos observo perceberiam que nada há de mais fascinante que estas ligações simples que estabelecemos.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

"(...) É preciso que saibas que entre a liberdade e a segurança, a grande maioria nunca escolhe a liberdade. A liberdade precisa da coragem de lutar com o medo, sem a certeza de o vencer. E o medo existe sempre, ontem, hoje e amanhã, e a coragem é tão rara como o espírito que ama a liberdade. Agora, regularmente, somos convidados a usar o boletim de voto para escolher a burocracia que vai gerir a nossa miséria.
(...) 
Prefere-se correr o risco da desumanização a correr qualquer risco que ponha em causa a nossa segurança, conforto, bem-estar. O fito das nossas vidas regula-se por algo tão abstracto e instável e ilusório como estar bem, ficar bem, continuar bem, e para tal todos os meios são aceitáveis. Ambicionar outra coisa é loucura ou estupidez. E, é claro, sentimo-nos cada vez piores, como não podia deixar de ser. A dor, o sofrimento, a perda têm de ser eliminados através do esquecimento. Só se for assim.
(...)
Os tempos condicionam-nos, mas não nos atingem de modo a que possam ser transformados, convictos de que viver só pode querer dizer viver livre, mesmo quando forçados a aceitar a máscara da escravatura, do escravo que é mais livre do que o senhor que dele depende. (...) " 

Pedro Paixão
Muito, meu amor 
 
é o admitirmos a nós próprios que somos demasiado maricas para descalçar a pantufa deixar tremer a perna e correr atrás de um sonho. é concluirmos que afinal somos iguaizinhos aos outros com medo, com preguiça, acomodados. vou ajeitar-me mais uns tempos a este meu modo de viver insatisfeito porque sou comodista.

this is a mans world

limitas-me e atrofias-me o ser até aos espasmos incontroláveis da tua existência ficarem finalmente saciados. no fundo, para ti, eu sou ou devo ser apenas uma continuação do teu maravilhoso intelecto vasto e cheio de profundidade. para ti, nada há de espantoso na minha criação aliás considera-la tão ordinária que nem merece que lhe dispenses qualquer tipo de atenção e por isso limitas-te a limitar-me com todas as armas que possuis. para ti, ao contrário do resto do mundo, sou um mero vegetal que diz umas coisas acertadas de quando em vez, que dá espectáculo e faz vista grossa ao mundo, sou um freakshow de trazer pela rua e isso dá jeito para apresentar ao mundo. mas quando me pergunto se acreditas em mim se alguma vez paraste para me ver chegar longe sei que me dirias que não. é dessa verdade nua e crua que morro de medo, não sei se de que tenhas razão se de que nos afastemos



























- devido a divergências artísticas.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011


cheiro-te a pele, com neutralidade subjectiva.
reconhecia-o do outro lado do rio, se precisassemos.

o mundo é tão pequeno 
e todos os lugares são nossos

domingo, 28 de agosto de 2011

"How much of you is real. How much of you is in that pill"


alguém

sábado, 20 de agosto de 2011

sou uma superfície superficial.
tudo o que toco é superficial.
leviano; não profundo.falso; aparente.


eu sou aquilo que odeio.
                                           a                                             p e q u e n e z

a pequenez

a pequenez é um estado de alma.
cresce-nos, por entre os dedos, a vontade reprimida de desdizer o outro e recalcar a elegância transmitida a ferros pela boa educação dos nossos progenitores. sussuramos, entre ouvidos, a vida de uma, os feitos do outro e as desgraças do próximo com o ombro que por um mero acaso se encontrar por ali e que também por um mero acaso tiver um ponto a acrescentar à história.
a pequenez é um estado de alma e propaga-se. se o deixarmos chocar ele deixa-se ficar e entranha-se aos poucos nos recantos do nosso, já de si rarefeito, intelecto. a pequenez é um estado de alma e propaga-se tal e qual como o boato e o mexerico de ombro em ombro de ouvido em ouvido.
a pequenez é um estado de alma. é um estado de alma a pequenez que nos deixa mais pequenos logo de pequenitos. logo de pequenitos brincamos ao pequename com a pequenada e é assim de pequeninos que nos criam na cultura da pequenez. de geração em geração, passam o gene da pequenez acabrunhada, mesquinha, picuinhas, infame, vil e maldizente e assim vão nascendo pequenas crianças mais acabrunhadas mesquinhas picuinhas infames vil e maldizentes que a pequenada com a pequenez anterior.
e é assim que a pequenez se propaga num estado de alma pequenino, pequeno e pequenote que agrada a todo e qualquer portuguesote.
e o português que não é pequeno, é o português que sonha demais - acusam-me eles apontando para o alto do meu pedestal.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

a minha verdade conveniente


o caos do burguês das avenidas novas

atrai-me o caos.
atrai-me o dessarranjo do mundo.
atrai-me a desorganização social, a esventralização das virtudes humanas em meras putrefacções banais.
atrai-me o porco, o sujo e o vil.
atrai-me o que não pertence, o que não faz parte, o desintegrado.
atraem-me os que desintegram, os que causam o caos.
atraem-me os filhos do caos e da promiscuidade.
atrai-me a anarquia das organizações mundias.
atrai-me a violência gratuita, o rebelde sem causa e o fora-da-lei.
atraem-me os James Deans do sec. XXI que por uma razão ou por outra provocam a destruição massiva da ordem do pré-estabelecido.
atrai-me a ocupação das casas sem licença, o esmagamento das forças policiais, a opressão à força laboral.
atrai-me o que não faz sentido, o anarquicamente irracional.
Vocês criaram a besta agora alimentem-na de caos, seus liberais conservadores!

ouvi-me contar

foi aos 18 anos que me dividi.
na procura da união de um eu que não sei se existe dividi-me em múltiplos para garantir a minha individualidade.
cada um limitado à sua função criativa proporcionam-me a plenitude mental que almejo e não alcanço num ser uniforme.
dou-vos espaço, dentro de mim, para que se multipliquem livremente e deixem crescer as vossas raízes artísticas pois é assim que eu fundamento os meus próprios alicerces criativos.

não me fujam, por favor.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

sem grandes expectativas não há grandes desilusões.

(epi)curem-se, amigos, (epi)curem-se.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

lineariedade linearmente linear

as linhas são o limite do mundo.
lineariedade linearmente linear
são elas que delimitam o mundo.
lineariedade linearmente linear
elas, a junção dos pontos, são o separador das classes, a definição entre o fim de um conceito e o começo de outro.
lineariedade linearmente linear
é assim, neste cloisonismo limítrofe que os humanos se relacionam e constroem relações, lineares.
lineariedade linearmente linear
na procura de, ponto a ponto, preencherem ou alcançarem a linha os humanos linearmente racioais provocam no mundo um divisionismo sectorial que os leva a observarem-se geometricamente.
lineariedade linearmente linear
e assim na concepção mais primária do mundo cremos que a linha é o limite. de tudo. o limite de todos.
lineariedade linearmente linear


não há lineariedade mais linearmente linear do que a linearidade de já estarmos no limite desta linha.........................................................
é o fim, como é hábito. não vos é tão confortável?

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

todo.
de todos.
a linha é o limite.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Conhecimento

Conhecemos as coisas, não como são, mas apenas como se nos apresentam (Kant).
A sociedade vulgarizou a sensação.
A vulgaridade da nomenclatura e do sentido de sensação  adquirida são as causas dos nossos pensamentos e sentimentos serem todos parecidos.
Um homem que viveu num país onde não existiam relógios, ao entrar numa região onde eles existem e ao ver um, pela primeira vez, sente duma maneira diferente de um natural desse país.
Daí, a inteira subjectividade do nosso conhecimento. (Idealismo subjectivo).
A matéria não existe - como matéria. Existe como matéria por intermédio dos nossos sentidos.
Para o rústico uma árvore é uma árvore; para um poeta é mais do que uma árvore. É mais ou menos assim que nós vemos a matéria com a nossa falta de percepção espiritual.
Assim como aquelas montanhas que, vistas de longe, parecem escarpas despidas e áridas, mas que vistas de perto não mostram rochas nem nenhuma aridez, antes pelo contrário vales e grandes extensões de terra lavrada.
Somos fracos espiritualmente, isto é: somos somente capazes de uma compreensão material, a não ser que usemos os nossos poderes mais vastos e profundos.
No entanto, trazemos em nós o poder de apreender a verdade - não verdade fenomenal mas verdade numenal. Afirmo agora, e afirmarei sempre, que ao homem escapou o mistério do universal somente por falta de vontade de pensar profundamente. Parece-nos uma falta - senão absoluta, menos dominável - que está sempre ligada aos mais fortes poderes de pensamento. Os maiores génios têm sempre esta falha.

Fernando Pessoa

o inferno são os outros

é a entrega que fode os relacionamentos, mas é também sem ela que estes não sobrevivem. com a entrega surge o compromisso, com o compromisso surge então o FORTE e o fraco. existe sempre o conceito do dominador e do submisso e nunca um equilíbrio estável de emoções e rotinas que balança os desejos animais e intrinsecos individuais e egoístas de cada um. é este caminhar lado a lado pela realidade que tira o brilho às sensações, ao tocar a relva, ao ouvir os pássaros, ao cheirar o mar, que quando estamos sós são sempre tão boas como da primeira vez e mesmo quando se tornam um hábito para connosco têm a capacidade de nos supreender. é este outro que transforma tudo numa obrigação de satisfação constante, de preocupação contínua, se está tudo bem, se está tudo no sítio e eu, que vim ao mundo sozinha e, creio, para ser sozinha, não me habituo a isto de a andar sempre a apanhar as peças a certificar-me que esta relação preenche todos os parâmetros estabelecidos por nós e por outrem do que é saudável e prescrito numa relação de determinados níveis de confiança e compromisso que entretanto já foram atingidos. e é precisamente neste ponto da conversa que me surgem à cabeça as tão convenientes palavras do meu pai "o inferno são os outros" porque senão fossem afinal os outros o que seria do inferno? Levanto-me, novamente, visto o meu fato do dia e preparo-me para começar mais um dia rodeada de outros...


Infelizmente